• 20/06/2020 - 13:54
  • Publicado por: Mara Frey Rockenbach
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Beruf / Profissão

Beruf

Mein Großvater war Ingenieur. Bauingenieur, genauer gesagt. In meiner kindlichen Vorstellungswelt bedeutete das, sechs Tage die Woche über unverständlichen Zeichnungen und komplizierten Berechnungen zu brüten und immer einen Bauhelm im Auto liegen haben. Außerdem war mein Großvater auf mysteriöse Weise dafür zuständig, das, was in der Lübecker Altstadt kaputt und heruntergekommen aussah, nach und nach zu reparieren. Eines Sonntagnachmittags – ich war gerade neun Jahre alt – behauptete er, auf einer Baustelle nach dem Rechten sehen zu müssen. Meine Großmutter war sauer.

Und auch ich hatte das Gefühl, dass das Nach-dem-Rechten-sehen-müssen nur ein Vorwand war: Mein Großvater wollte auf die Baustelle. Deshalb drängte ich darauf, dass er mich mitnahm. Nachdem ich an seiner Hand Hunderte von Stufen hochgeklettert war, standen wir auf dem Dachreiter von St. Marien. Mir war schwindelig, und der Bauhelm lastete schwer auf meinem Kopf. Mein Großvater erklärte mir, dass der Dachreiter im Krieg zerstört worden war und nun in den Originalzustand wiederhergestellt wurde. Auf der Baustelle gab es weder etwas zu tun noch nach dem Rechten zu sehen. Aber als ich meinen Großvater so begeistert erzählen hörte, begriff ich, wie stolz er war auf seine Arbeit. Und wie sehr er diese alte Kirche liebte.

An diesem Sonntagnachmittag wurde mir klar, dass ein Beruf mehr sein sollte, als ein Broterwerb, dass man seine Lebenszeit einsetzen sollte für Dinge, mit denen man sich identifiziert, die man – im besten Fall – sogar liebt. Heute versuche ich, sonntags nicht zu arbeiten, und zwar ganz egal, wie hoch sich die Papiere auf meinem Schreibtisch stapeln. Aber gelegentlich nutze auch ich einen Sonntag, um auf der Baustelle nach dem Rechten zu sehen: Ich frage mich, inwieweit meine berufliche Situation noch der Vorstellung entspricht, die ich damals auf dem Dachreiter von St. Marien von ein „Beruf“ bekam. Ob ich die Dinge, die ich tue, für wesentlich halte.

Ob ich mit Herz und Hirn bei der Sache bin und meine Lebenszeit anständig behandle. Mein Großvater ist inzwischen längst pensioniert. Ein Bauhelm liegt noch immer in seinem Auto.

 Dagrun Hintze

 

Profissão

Meu avô era engenheiro. Engenheiro civil, mais precisamente. No meu mundo imaginário infantil isso significava refletir sobre desenhos incompreensíveis e cálculos complicados seis dias por semana e sempre ter um capacete no carro. Além disso, meu avô era misteriosamente responsável por restaurar pouco a pouco o que parecia quebrado e em ruínas na cidade velha de Lübeck.

Numa tarde de domingo – eu tinha apenas nove anos – ele afirmou que precisava ir a uma obra para ver se tudo estava correto. Minha avó ficou furiosa. E eu também tive a sensação de que “ver se tudo estava certo” era apenas uma desculpa.

Meu avô queria ir a essa obra. Por isso eu insisti que ele me levasse junto consigo. Depois que eu subi centenas de degraus na mão dele, ficamos

nós parados, no cume do telhado de St. Marien. Eu estava tonta e o capacete de segurança estava pesando na minha cabeça. Meu avô me explicou que o cume do telhado havia sido destruído na guerra e agora fora restaurado à sua condição original. Na obra, não havia nada para fazer ou verificar se tudo estava indo bem. Mas quando ouvi meu avô contar com tanto entusiasmo, percebi como ele estava orgulhoso de seu trabalho e o quanto ele amava essa igreja antiga.

Naquela tarde de domingo, percebi que um emprego deveria ser mais do que um ganha-pão, que deveríamos usar o nosso tempo para coisas com as quais nos identificamos, as quais – na melhor das hipóteses – até amamos.

Hoje eu tento não trabalhar aos domingos, por mais alto que se empilhem os papéis na minha escrivaninha. Mas, ocasionalmente, também uso um domingo para verificar se tudo está indo bem no canteiro de obras. Eu me pergunto até que ponto a minha situação profissional ainda corresponde à idéia que eu tinha então de uma profissão, quando estava no cume do telhado de St. Marien. Se considero as coisas que faço como essenciais. Se estou de coração e mente ligado no que faço e se trato minha vida adequadamente.

Meu avô já se aposentou ha tempo. Um capacete de construção ainda está em seu carro.

De Dagrun Hintze  |  Tradução: Eduardo Frey