• 05/06/2020 - 18:36
  • Publicado por: Marilena Dal Bosco
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Cabo Toco

Olmira Leal de Oliveira, a Cabo Toco, nascida em Caçapava do Sul, no rincão de Camaquã, nos idos de 1902. Primeira mulher a participar da Brigada Militar, em 1923, quando com 21 anos de idade foi recrutada para integrar as fileiras da Brigada Militar, como enfermeira e combatente no 1º Regimento de Cavalaria. Graduada a cabo e devido a sua baixa estatura, atendia por “Cabo Toco”, participou da revolução de 1923. Mas como mulher guerreira e forte, não se limitou às atividades de apoio, valente pegava no fuzil e junto aos soldados lutava com bravura nas batalhas, deixou a corporação em 1932. Casou com Antônio Martins da Silva em 1951 e ficou viúva em 1954, recebendo a pensão do marido.

Cabo Toco, mulher, forte guerreira, símbolo da nossa história, não teve descendentes, viveu em uma casa muito pobre nas cercanias de Cachoeira do Sul, onde andava pelas ruas com sua carroça, cansada e sem rumo, carregava sua história, passando pelas ruas quase anônima.

Introspectiva e desconfiada, carregando consigo a história de lutas que o povo não conhecia, não gostava de falar de seu passado, da heroína, da primeira mulher nas fileiras da Brigada Militar. Sua história foi contada por Nilo Bairros Brum e Heleno Gimenez, na voz de Fátima Gimenez, em 1987, no 5ª Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul, deixando sua marca na história gaúcha, como diz a letra: “Entrei de frente na história e, acredite quem quiser, em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher”.